Biólogo e pós-doutorando no departamento de Zoologia da Universidade de Brasília, Cristiano Nogueira comentou a O Eco sobre seu desgosto com parte do que leu na Folha de S. Paulo no fim de dezembro (veja aqui). Pouco quanto ao experimento científico sobre queimadas em florestas tropicais, mais sobre como o Cerrado foi exposto no texto.
Segundo ele, é errado afirmar que porções de floresta amazônica se transformam em Cerrado com a passagem de fogo. “O processo de conversão da Amazônia brasileira em ambientes antrópicos abertos não pode ser chamado de conversão em cerrado, cuja vegetação tem complexidade, antiguidade e riqueza. O Cerrado sustenta um dos mais ricos, antigos, biodiversos e ameaçados ecossistemas globais e não existem evidências de que áreas de floresta afetadas por queimadas serão substituídas por vegetação de cerrado”, ressaltou.
Ainda conforme Nogueira, as plantas que invadem áreas queimadas não são espécies típicas do Cerrado, mas em geral invasoras, como gramíneas africanas introduzidas para a formação de pastagens. “Tais conjuntos de espécies não são componentes da flora do Cerrado, reconhecida por sua alta diversidade e alto grau de especialização e endemismo. Dizer que uma área recém queimada e invadida por gramíneas é um cerrado é como dizer que uma floresta plantada de seringueiras ou pinus é amazônia”, disse.
Saiba mais:
Migração alada do Cerrado ao Sudeste
Rico Cerrado
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